terça, 29 de agosto de 2023 - 17:40h
Governo do Amapá realiza monitoramento da biodiversidade na RDS do Rio Iratapuru
Equipe técnica da Sema esteve presente no terceiro ciclo do Programa Monitora que avalia a biodiversidade presente na Unidade de Conservação para projeções de alteração na distribuição e locais de ocorrência das espécies em resposta às mudanças climáticas.
Por: Cristiane Nascimento
Foto: Maíria Lopes
O monitoramento da biodiversidade é fundamental para entender e moderar a extensão das mudanças climáticas

No período de 15 a 28 de agosto, aconteceu o terceiro ciclo de Monitoramento do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Programa Monitora) na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Iratapuru, Unidade de Conservação estadual, localizada nos municípios de Laranjal do Jari, Mazagão e Pedra Branca do Amapari. Essa é uma ação do Governo do Estado, coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) com o apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Programa Arpa) com o objetivo de garantir informação de qualidade para a avaliação contínua da efetividade da Unidade de Conservação.


Essa foi a primeira campanha de 2023 para o monitoramento de borboletas frugívoras, que são espécies que se alimentam principalmente de frutas, e fazem parte do protocolo básico do Programa Monitora. A RDS do Rio Iratapuru, é o cenário de uma importante iniciativa de monitoramento da biodiversidade, a qual integra um mosaico de áreas protegidas que abrange parte do Planalto das Guianas, região reconhecida pela rica biodiversidade socioambiental e cultural.


Assim, o acompanhamento também possibilita subsidiar, avaliar e fazer projeções de alteração na distribuição e locais de possíveis ocorrências das espécies em resposta às mudanças climáticas e demais vetores de pressão e ameaça, a fim de atualizar as medidas de conservação e auxiliar na tomada de decisões de manejo em escala local, regional e nacional.


Uma das principias características do Programa é o envolvimento de forma participativa das comunidades que fazem parte das unidades de conservação que são apoiadas e tem implementado o Programa Arpa. Assim, foi realizado um treinamento prévio para possibilitar a participação dos comunitários nesse monitoramento. Sandra Viana, moradora da comunidade do Iratapuru, recebeu a capacitação e atua na equipe de monitoramento desde 2021.


“A implantação do Programa Monitora ajuda a preservar a nossa floresta, porque nós que somos moradores da comunidade do entorno da reserva, entendemos a importância de manter a floresta em pé e o programa veio para contribuir com isso”, disse Sandra.


As coletas de dados têm por objetivo monitorar a longo prazo as comunidades de borboletas frugívoras, mamíferos de médio e grande porte e aves cinegéticas presentes na RDS do Rio Iratapuru. Esses grupos são sensíveis às mudanças ambientais, tornando-se indicadores significativos de mudanças.


Em setembro de 2023 ocorrerá a segunda coleta de dados de borboletas e a primeira coleta de mamíferos de médio e grande porte e aves migratórias. E, em outubro desse ano, acontecerá a última expedição para finalizar as coletas de dados desse ciclo de monitoramento de mamíferos e aves.

A chefe da Unidade de Conservação, Maíria Lopes, destaca que monitorar a biodiversidade é fundamental para entender e moderar a extensão das mudanças climáticas e ações antrópicas que possam ocorrer e, dessa forma, reduzir seus impactos negativos.


“A partir de ações apoiadas pelo monitoramento da biodiversidade é possível criar estratégias para atenuar as pressões sobre os ecossistemas e, inclusive, ajudar a reduzir também as ameaças à espécie humana”, disse Maíria


Resultado:

O monitoramento da biodiversidade fornecerá base para geração de informações biológicas para dar subsídios à gestão da RDS do Rio Iratapuru e à elaboração de planos e ações adequadas para a conservação dos ambientes florestais monitorados, contribuindo assim para a conservação da floresta em pé que abriga um dos maiores maciços de castanhais da Amazônia, fonte de geração de renda para essas comunidades extrativistas do entorno da RDS e que movimenta recursos no sul do Estado do Amapá.


Programa Monitora:


O Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Programa Monitora), instituído pela Instrução Normativa ICMBio n.º 3/2017, e, reformulado pela Instrução Normativa ICMBio nº 2/2022, tem sido aprimorado, desde os primeiros anos de criação da instituição e, atualmente, conta com a participação de Unidades de Conservação Federais e Estaduais dos diferentes biomas brasileiros.

O Programa busca fortalecer o diálogo em torno das questões ambientais, com base no compartilhamento de informações e na formulação de questões, envolvendo pesquisadores, gestores das áreas e das comunidades. Tem sido estabelecido um conjunto de procedimentos para levantar dados a partir do emprego de técnicas simples, com baixo custo financeiro e operacional, privilegiando a participação de atores locais, acompanhado do compartilhamento de análises e interpretação coletiva de resultados. Tais atividades requerem a capacitação constante em diversas áreas do conhecimento e permanente processo de animação e articulação de iniciativas.


Um dos principais objetivos do programa é gerar informação qualificada para a avaliação continuada da efetividade das Unidades de Conservação e do Sistema Nacional de Unidades de Conservação no cumprimento de seus objetivos de conservação da biodiversidade.


O programa objetiva também fornecer subsídios para a avaliação do estado de conservação da fauna e da flora brasileira e para implementação das estratégias de conservação das espécies ameaçadas de extinção.

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